Tecnologias possibilitam descobertas úteis para planejamento urbano e preservação de ecossistemas
Ao falar de tecnologia, pensa-se no futuro. Mas a inovação também possibilita o desenvolvimento de ferramentas que ajudam a saber mais sobre o passado e que, por sua vez, são úteis ao planejamento. Um exemplo é um estudo internacional, liderado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que, utilizando um equipamento de mapeamento remoto, revelou a existência de cidades pré-colombianas onde hoje é a floresta amazônica. Os pesquisadores descobriram, entre outras coisas, que mais de 80 espécies de plantas que eram cultivadas pelos povos indígenas na antiguidade, hoje são abundantes na Amazônia. “A atividade humana impactou a composição florestal, o que nos ajuda a entender até onde essa ocupação e modificação do manejo pré-colombiano se alastrou. Frente às mudanças climáticas, essas informações nos direcionarão sobre o comportamento da floresta para sua regeneração”, defende o especialista em geoprocessamento, Geog. Vinicius Peripato, um dos líderes do estudo, assinado por uma equipe composta por 230 profissionais, de 156 instituições, localizadas em 24 países, de quatro continentes. A descoberta foi possível com a ajuda do LiDAR — Light Detection and Ranging, ou Detecção e Varredura a Laser, em português — solução que vem sendo cada vez mais utilizada pelas Geociências. A tecnologia funciona como uma trena à laser, combinada com um GPS, que, além de estimar as distâncias, conta as localizações e a posição geográfica. “É como se você estivesse trabalhando com milhões de trenas ao mesmo tempo, o que torna possível desenvolver mapeamento de superfícies com precisão e detalhes muito mais elevados”, exemplifica o geógrafo. O LiDAR consegue ver praticamente tudo o que está acima do solo. Mas, também já é possível mapear o que está embaixo, graças ao Radar de Penetração no Solo (GPR), que opera através da emissão de ondas de rádio de alta frequência ao subsolo, analisando o sinal refletido para identificar objetos enterrados. “As ferramentas se complementam e são cruciais para a coleta de dados precisos que ajudam na tomada de decisões”, explica o coordenador adjunto da Câmara Especializada de Engenharia de Agrimensura (CEEA), Eng. Agrim. Francisco de Sales Vieira de Carvalho. O planejamento urbano se beneficia desses instrumentos. Segundo Carvalho, eles podem ser usados para mapear áreas de crescimento urbano, identificar regiões com deficiências de infraestrutura, e pensar em intervenções urbanísticas que minimizem impactos ambientais. “O georreferenciamento também é fundamental para monitorar áreas de conservação, detectar mudanças na cobertura vegetal, e implementar ações de restauração ecológica”, completa o engenheiro agrimensor, lembrando que a integração desses dispositivos com sistemas de informação geográfica (GIS) permite ainda a modelagem de cenários futuros e a gestão eficaz dos recursos naturais. “A cidade de São Francisco (SP), por exemplo, emprega o LiDAR para modelagem tridimensional de edificações, a fim de planejar rotas de evacuação e implementar outras medidas de segurança em resposta a desastres naturais”, conta Carvalho. “Já o GPR é utilizado não somente para revelar fundamentos arqueológicos, mas também na Engenharia Civil para a localização de cabos e tubulações subterrâneas, bem como na avaliação da integridade de estruturas de concreto”, afirma. Os profissionais devem ficar de olho nessas tecnologias. “Se tivermos um olhar refinado, conseguimos sempre ver novos usos para nos destacar em nossas áreas”, destaca Peripato.